Acidente vascular cerebral : “um em cada seis”


O AVC (acidente vascular cerebral), conhecido popularmente como derrame,  resulta da restrição da irrigação sanguínea para o cérebro, causando lesão neuronal e danos nas funções neurológicas.  As manifestações clínicas  incluem alterações das funções motora, sensitiva, mental, perceptiva e de linguagem dentre outras, sendo que o quadro neurológico destas alterações varia em função do local e extensão da lesão. As causas mais comuns de AVC são os trombos, embolismo e hemorragia nos vasos cerebrais.
O AVC é a causa mais comum de mortes em todo mundo. Um estudo que comparou a mortalidade entre países da América Central e da América do Sul, utilizando dados do sistema de informação e estatística da Organização Mundial de Saúde  mostrou que o Brasil possuía as maiores taxas de mortalidade por AVC dentre os países avaliados. Além da mortalidade,  deve ser considerada a alta morbidade desta enfermidade, ou seja as incapacidades e sequelas. O AVC é mais incapacitante do que letal, sendo a maior causa de comprometimento físico e mental a curto e médio prazo. Cerca de 70% dos pacientes ficarão incapacitados de retornar ao trabalho e 30% irão necessitar de auxilio para realizar atividades de vida diária como tomar banho, cozinhar, alimentar e vestir.
Os custos para tratamento destes pacientes são elevados, incluindo cuidados no manejo inicial, na sua reabilitação e o no seu acompanhamento. Apesar dessas evidências indicando ser o AVC um dos principais problemas de saúde pública mundial, seu conceito de emergência médica ainda é muito pouco difundido no Brasil. Um estudo realizado em 4 cidades brasileiras verificou que 22% dos participantes não reconhecia nenhum sinal de alerta para AVC. Para diminuir o sofrimento causado pelo AVC, nós, médicos devemos ajudar atuando em vários níveis: prevenção, tratamento agudo e reabilitação.
A Academia Brasileira de Neurologia, Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, Rede Brasil AVC e a Associação Brasil AVC farão campanhas de alerta para a população em todo o país na semana do dia 29 de outubro de 2012. Este é o dia mundial do AVC. A Organização Mundial de AVC (World Stroke Organization - WSO) lançou em 2010 a campanha, "Um em cada seis"  no Dia Mundial do AVC. O objetivo da campanha é colocar a luta contra o AVC como tema central da agenda global de saúde. O tema "Um em cada seis" foi escolhido para destacar o fato de que, nos dias atuais, um em cada seis pessoas, no mundo inteiro, terá um AVC durante a sua vida. Todos estão em risco e a situação pode piorar com a complacência e a inércia. A campanha divulga não apenas o fato de que o AVC pode ser prevenido, mas que os sobreviventes de AVC podem recuperar-se totalmente e manter sua qualidade de vida com os cuidados e apoio adequados em longo prazo.
 Em 2011 a campanha teve o objetivo de reduzir o impacto do AVC agindo em seis desafios básicos: 1. Conheça os seus próprios fatores de risco: hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. 2. Seja fisicamente ativo e exercite-se regularmente. 3. Evite a obesidade, mantendo uma dieta saudável. 4. Limite o consumo de álcool. 5. Evite o fumo do cigarro. Se você fuma, procure ajuda para parar agora. 6. Aprenda a reconhecer os sinais de alerta de um AVC.
Aprender a reconhecer o AVC é importante porque tempo perdido é cérebro perdido e a população deve ficar atenta a um início súbito de fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente se em um lado do corpo, confusão, alteração da fala ou compreensão, alteração na visão (em um ou ambos os olhos), alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar, bem como dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente. 
Se você ou alguém que você conhece estiver com um destes sintomas não espere melhorar. Corra para um serviço de urgência. Cada segundo é importante.

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